Caio abriu os olhos, sentiu aquela aguda pontada em sua cabeça e pensou: “Por que insisto em beber tanto? Por que não aprendo?”. Olhou para o lado e sentiu-se um pouco mais tranquilo quando viu que estava sozinho, pelo menos não fizera nenhuma “boa ação” no estado lastimavelmente ébrio em que se encontrava.
Com o sofrimento acentuado pela movimentação do seu corpo na intenção de se levantar, olhou em volta tentando, com muita dificuldade, lembrar dos acontecimentos na noite anterior. Mas foi ficando cada vez mais preocupado ao notar que não estava em sua casa, parecia estar em algum motel luxuoso, pois tudo parecia muito bem limpo, arrumado e impecavelmente decorado.
Esquecendo toda dor de cabeça que sentia, levantou-se rapidamente tentando entender aonde estava; vasculhou o quarto rapidamente, encontrando apenas suas roupas espalhadas pelo chão. Ficou um pouco mais tranquilo, afinal se fizera algum tipo de cagada, pelo menos a fez sozinho, então levantou-se e foi em direção ao banheiro para averiguar e ter certeza de estar sozinho mesmo.
Ao entrar no banheiro, não encontrando ninguém, lavou o rosto tentando colocar os pensamentos em ordem, vislumbrou uma toalha pendurada ao lado do espelho ostentando a marca “Copacabana Palace”. Instantaneamente, seus batimentos estavam tão rápidos e o silêncio tão sepulcral, que Caio ouvia seu coração funcionando, qualquer vestígio de dor esvaiu-se de seu corpo e restou apenas a preocupação: “O que diabos estou fazendo aqui?”. Escovou os dentes, tomou um banho para ficar mais apresentável, não queria sair atrás de informações todo largado, e se vestiu.
Encontrou seu celular e ligou para a pessoa que normalmente menos bebia entre os quatro e sempre lembrava de tudo que ocorria, Alfredo. O telefone chamou até cair na caixa postal. Caio não se deu por vencido, ligou mais uma vez e, para seu desespero, caiu novamente na caixa postal. Sem saber o que fazer, largou o corpo sobre a cama para pensar em como pagaria a conta e acabou pegando no sono.
Acordou assustado com o barulho da campainha de seu quarto, levantou apressado, meio que arrumando a cara, e sentindo novamente a dor de cabeça, se dirigiu até a porta. Ao abri-la, a surpresa: Alfredo de bermuda, camiseta florida, barba por fazer e um imenso sorriso na cara.
- Bom dia Ferrugem! – disse Alfredo.
- Bom dia pra você Alfredo, que consegue falar e parece saber o que está acontecendo. Me diga por que não atendeu minha ligação? Que horas são? Por que essa alegria toda? – retrucou um emburrado Caio.
- Ah, estava em minha sessão de massagem tailandesa. Muito boa essa sua dica, obrigado! Realmente ainda preciso aprender muito sobre o assunto “aproveitar a vida”.
- E você poderia me explicar o que está acontecendo aqui? Acordei e não lembro de nada, só sinto todas as pulsações do sangue em meu cérebro.
Rindo alto – mesmo sob os protestos de Caio – Alfredo contou a história de como todos os quatro foram parar ali, toda a comemoração, a balbúrdia que fizeram e chamou: “Vamos acordar os dois dorminhocos!”.
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