Alfredo e Luís estavam a caminho de mais um happy-hour quando avistaram uma lotérica e resolveram arriscar dar sorte pro azar: “Por que não?”, pensaram. Jogo feito, sorte lançada!

Voltaram à sua preocupação inicial, a difícil arte de bebericar uma cerveja e conversar amenidades após um estafante dia de trabalho. Só que agora tinham algo importante a discutir: como fariam para gastar todo o dinheiro que estavam prestes a ganhar? E o que iriam fazer? Como iriam fazer? Onde iriam fazer? Com quem iriam fazer?

Foram tantas perguntas, que chegaram a pensar se o dinheiro conseguiria atender a tantas vontades e desejos. E com todas essas perguntas na cabeça e quase nenhuma certeza, Alfredo resolveu fazer nota mental de cada uma delas; para estudá-las depois, na sanidade de sua solitária cama, afinal, agora não queriam pensar em nada; apenas beber, conversar e “urubuservar”.

O papo continuou rolando, enquanto o restante da turma não chegava, entre os mais diversos assuntos do mundo masculino: economia, política, futebol, cinema, música e o – não menos importante – arrebitado traseiro da garçonete. Claro que tudo isso sem que ambos conseguissem parar de pensar “ah se ganhassemos…”.

Duas cervejas depois chegou André, atrasado por conta de um cochilo que resolveu dar antes de sair para o “fervo”, já que a noite – como quase todas as outras – prometia ser longa e agitada.

Só que o papo voltou ao início:
- Fizeram sua “fézinha” na loteria dessa semana? Tá acumulada pela 19ª vez – disse André.
- É claro que fiz, só não decidi com o que gastar ainda, mas assim que descobrir aviso! – exclamou Alfredo.
- Também não sei com que gastarei, mas estarei feliz em esforçar-me para descobrir. – disse Luís.

Voltaram ao papo e levantaram os mesmos itens anteriores. Claro, não chegaram a nenhum consenso, mas ao chegar o terceiro copo – juntamente com a terceira cerveja – apareceu a garçonete.

Com a bela visão da garçonete distanciando da mesa, os três pares de olhos se deram conta de duas “dilíças” que estavam sentadas há três mesas e, após uma breve visualização da área em volta, viraram para o centro da mesa praticamente ao mesmo tempo e, quase que em uníssono, exclamaram:
- Viram o que eu vi? E sozinhas ainda!

Todos riram, é claro que tinham visto! Quem em sã conciência perderia uma, aliás, duas vistas como aquela? E – por um breve momento – todos ficaram em silêncio, apenas pensando em quem sobraria dos três, afinal, alguém teria que ir conversar com as mulheres da outra mesa, tomar uma atitude e mostrar a elas porque estavam todos ali! Apenas com uma diferença: uns vão como caça e outros… como caçador.

Só que o momento “O Pensador” foi quebrado pela chegada de Caio que, mal chegando, disse:
- Vocês viram as duas gostosas sentadas ali? E essa garçonete? Essa noite promete, passarei o rodo.

Com a deixa, todos caíram na risada, menos Caio, que em certa noite soltou a frase que viraria o lema desse quarteto: “Pra que passar vontade, se podemos passar o rodo?”.

E para quebrar esse clima de “estão tirando sarro de mim”, Caio resolveu puxar um assunto aleatório.
- Viram o valor que está a loteria essa semana? Ah se eu ganhasse!

Dessa vez, apenas Alfredo e Luís caíram na risada.

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2 respostas to “Lotérica e boteco”

  1. Poxa, muito legal e muito bem escrito =)

    O Lema que o Caio criou é muito bom, hahaha!

  2. Agradecemos a preferência… Logo sairá o segundo conto. (:

Comentários

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