1º Ato:
Música “Marlboro song”. Entram em cena, pela esquerda do palco (olhando da platéia), o cavalo Totó e Johnny Ciclope (este montado no primeiro) e se aproximam da Figueira carregada de maçãs. Johnny amarra Totó na vareta horizontal, a música pára. Cantarolando “I will survive”, Johnny senta-se na pedra posicionada à frente do palco. Descasca uma banana (que estava pendurada em seu pescoço) e começa a saborear lambendo a fruta (sem morder porque ela tem que durar até o fim do espetáculo).

Totó continua amarrado. Johnny continua sua felação frutada, mas agora cantarola “Ursinho Pimpão”. Ruídos (uma mescla de pássaro, leão, hiena e caramujo) por trás da moita fazem com que Johnny pare de chupar, lamber, mordiscar e passar na cara a banana, que é recolhida ao seu bolso (posicionado na frente da calça). Como quem olha o horizonte, ele olha o horizonte (!). Atrás da moita, Johnny observa um penacho colorido se movimentando. Ele adoraria descobrir o que é aquele penacho, e demonstra isso em palavras:
(Johnny) – O que é você, penacho?
(Penacho) – Sou um penacho colorido da floresta.
(Johnny) – Você vem sempre aqui?
(Penacho) – Só quando quero ficar sozinho. E quem é este que está com você? Não me apresenta?
(Johnny) – Este é meu companheiro Totó, ele é um cavalo. De cor prata-cobreada, crina amendoada (na cor, não na forma), tapa-olhos feitos com estômago do maior Dragão de Komodo já visto, casco polido semanalmente por estas hábeis mãos que fazem o arremate de meus membros superiores, pelego de Lhama do Chile, com esta bela cela cerzida pelos magníficos barbeiros de Sevilha e…
(Penacho) – Roooonnnnnccccc….. (Onomatopéia significando o sono profundo do personagem)
(Johnny) – Penacho?
(Penacho) – Desculpe, Johnny. Então, não me apresenta seu companheiro? O que é ele?
(Johnny) – Este é meu companheiro Totó, ele é um cavalo. Nada mais tenho a dizer a respeito dele.

Síntese do 1º Ato: Somos nós, leitores (platéia), convidados a um maravilhoso mundo de sonhos e fantasia criado pelo autor. Quem nos apresenta esse mundo são três personagens: Totó (o cavalo), Johnny Ciclope (cavaleiro errante) e Penacho (personagem misterioso que ainda não mostrou a que veio). Demonstrando ser uma pessoa moderna, Johnny Ciclope não se importa em parecer um rapaz alegre. Ao encontrar Penacho, Johnny demonstra também ser uma pessoa suscetível a novas amizades, mesmo com pessoas (?) diferentes. Totó aparenta ser uma pessoa (?) vaidosa, antenada com as últimas tendências da moda eqüisilvestre. Penacho não demonstra nada, daí a definição acima como sendo ele um personagem misterioso.

Perguntas que não querem calar, a serem respondidas no 2º ato: Conseguirá Johnny esquecer o ronco de Penacho durante sua explanação sobre Totó? Penacho irá explicar o que é, de onde veio, para onde vai? Totó se livrará das amarras e alcancará a sacola de feno posicionada em local errado pelo cenógrafo? O autor conseguirá dar uma linha evolutiva honesta para essa peça teatral? Terá, a comunidade maneh, desenvoltura suficiente para a encenação desta peça? Algum ser eqüino irá se cadastrar no site, ou teremos que abrir mão dos pratas-da-casa e locar um cavalo para a encenação?

Não perca a continuação e a resposta para todas essas perguntas.

Leia também

Comentários

Você pode usar as tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>