Ah, o Novo Ano. Uma data carregada de simbologia e simbolismos marcou o dia 01/01/2003. Várias pessoas, de variadas classes sociais (inclusive eu, que não pertenço a nenhuma classe), são atingidas por esse “Dia Especial”.
Bem, como cético que sou (ao contrário de São Tomé, eu não acredito nem vendo), não acredito na tal “Data Especial”. Acredito, sim, que seja uma data idiota. Afinal, todos fazemos pedidos de Paz, de Felicidade, de Dinheiro, de Amor, tudo num dia só. Não sei quem suplantou essa idéia (e também não sei se a palavra “suplantou” existe, acredito que sim) de que se fizermos vários pedidos no dia 31/12 (de qualquer ano) seremos atendidos.
Porque, uma coisa é fato: o calendário nada mais é do que uma convenção do Homem Moderno (acho que de antes da Idade Media. Tem coisas que eu ignoro). Bem, sendo uma convenção, um simples ciclo de tempo para facilitar nossas vidas, como podemos afirmar que tudo irá mudar após 31/12 11:59:59 PM (pê-ême)? Sim, pois o Novo Ano poderia começar mesmo no dia 30, ou 31, ou dia 02, não poderia? Mas, existe alguma coisa extremamente científica que nos diga: a partir desse minuto, estamos no Novo Ano? Ou serão meras convenções?
Dirão os mais cultos (sempre eles): sim, mas a data é somente representativa, assim como uma fotografia. Ela somente representa a passagem do Velho Ano, a transição para o Novo. Responderei eu, pessoa inculta e grosseira: sim, vocês estão certos. A data é realmente representativa: representa a hipocrisia (cujo significado eu não sei) e a falta de objetividade do povo em geral. Entregar a solução de problemas ou a expectativa de uma vida melhor a uma data é meio ridículo. O mais correto seria viver a cada dia pensando em melhorar a vida, em conseguir um novo amor (pra quem não tem) ou dar novo impulso (para quem está namorando), desejando mais paz, mais felicidade. Em todos os dias do ano.
Não adianta, no dia 30/12 (ou em qualquer outro) mandar um amigo à merda, xingar familiares, e depois, no dia 31/12 às 11:59:59 PM (pê-ême) abraçá-los e, durante o bebericar de champagne (que na verdade nunca é champagne), desejar-lhes um ano melhor. É total falta de vergonha na cara. Como alguém, que transformou sua vida num Inferno de Dante, pode chegar e lhe dar um tapinha nas costas dizendo: “Feliz Ano Novo”? O mínimo que tal pessoa merece é um tiro na cara.
Então, por favor, nada me desejar Feliz Ano Novo. Não gosto disso. Não gosto de Natal. Não gosto de comemorar aniversários. A única vantagem que vejo nessas datas é poder ficar sem trabalhar, as comidas e bebidas que podem ser ingeridas sem culpa (afinal, todos estão comemorando).
E, enquanto isso, eu aqui: esperando.
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